segunda-feira, 16 de julho de 2012
(Ensaio sobre) Cinza(s)
sábado, 30 de junho de 2012
Boneca de pano
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Olhos azuis
terça-feira, 24 de abril de 2012
O dia e as ruas
terça-feira, 17 de abril de 2012
As noites e a Tristeza
Quando foi teu o meu primeiro olhar e você sorriu, eu mal consegui sustentar os pensamentos em ordem, e você sorriu e tive de desviar meus olhos, e você rodou e não pude deixar de te olhar. Olhos e olhos, olhos nos olhos e luzes de festa que pingavam entre a escuridão e tantos rostos que perdiam suas graças ao abandonar suas purezas, quando bocas rasgavam caras de uma orelha à outra de uma forma tão obscena e muitos desses sorrisos feios e frios eram destinados a você, sorriam ao ver sua forma sem pudor e, bem, você não tem pudor. Não tem, não tem pudor.
Mas não me importei muito. Não me importava em saber que você olhava pra tantos olhos como olhava os meus, não me importava em saber que suas mãos tocavam os corpos de tantos como o meu, e não me importava em saber que você se deitava com tantos quantos você pudesse, pois quando se deitava comigo, eu era seu. Não, nem nesse momento você era minha, mas eu ficava feliz em saber que eu era seu. Nunca pude ser de ninguém, nunca me doei a ninguém e tampouco me doei a você, mas você me roubava – roubava cada minuto, roubava cada centavo, roubava cada suspiro, roubava cada gozada.
À beira da cama, cigarro entre os dedos e você do outro lado, eu queria sair e não voltar, mas você me beijava sem eu querer em você encostar. Roubava-me um beijo. Perguntava-me se voltaria na semana seguinte e eu não respondia, mas você sabia. Sorria. E a cada sorriso uma nova conquista em mim, a cada sorriso um novo eu se rendia à mesma você. E você levantava e ia. E eu terminava meu cigarro. E olhava para a porta. E então para a maçaneta. E me levantava. E finalmente ia.
E pensar que eu ria de Kerouac. Às vezes a vida é pura tristessa.
sábado, 28 de janeiro de 2012
De noite é impossível não notar quando se está só
Sua mistura com o burburinho
Sinta sua visão turva
E embaçada quando você está sozinho
Tente manter-se calmo, embora às escuras
Ruas se mantêm vazias e frias
Mesmo com tantos olhos escondidos observando
A solidão que passa tão só
A solidão que passa tão só
Calçadas vazias cheias de gente vazia
E os rostos vazios dispostos em troca de alguns trocados
E janelas frias fechadas protegem rostos fechados
E frios e a postos para a solidão que assola
A solidão que assola
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Os nomes
Desculpa.
Eu sei, sei tudo o que disse, sei das minhas crises, das minhas cicatrizes, mas eu me enganei – nunca te amei, nunca me apaixonei por você, na verdade eu mal te conheci.
Desculpa.
A verdade é que eu nunca fui seu. A verdade é que eu sempre fui da Beatriz, aquela que imaginei através de você, aquela que eu já imaginava há tanto tempo, aquela que confundi contigo – embaralhei os nomes, mas eu já a conhecia. Conheci-a quando eu tinha mais ou menos dezoito anos e me apaixonei de verdade pela primeira vez.
Você nem teve chance, desculpa.
O grande arrependimento é que você até parece o tipo do qual eu gostaria, você parece o tipo que me faria feliz, talvez, mas eu esperei tanto por ela que não aceitei uma pessoa diferente. Jamais aceitei – nenhuma das outras por quem acreditei ter-me apaixonado foi Beatriz, nem um pouco Beatriz, da cabeça aos pés outra pessoa.
Você merecia mais, desculpa.
Sinceramente, hoje eu entendo que ouvia teu nome e imaginava Beatriz. Linda, alva, jovem. Via-me jovem, via-te jovem, via-te Beatriz. Via-te Beatriz como via Camilas, Gabrielles, Renatas, mas minha escolha sempre foi por Beatriz. Fui te conhecendo e descobrindo em você um nome completamente diferente. Daquele momento em diante, pude te chamar pelo teu nome, o problema foi que vinha ficando mais e mais claro que você não era nenhuma Beatriz.
Seu nome, esqueci, desculpa.
Ou protejo-o, discreto. O que realmente importa: conheci muitas e muitas mulheres nessa vida e em todas vocês eu procurei por Beatriz e muita gente se machucou enquanto eu me machucava. Sei que há por aí alguma Beatriz para amar, mas às vezes, ao ver a fumaça dos cigarros frustrar-se ao falhar em cobrir a lua, pergunto-me se saberei seu nome ao encontrá-la.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Reflexões
E você poderia pensar que talvez
Pudesse ser perda de tempo, mas eu
Tenho certeza
Que há algum lugar melhor para nós dois
E para o resto do mundo
Para quem estiver pronto para'travessar
Para outro lugar
Livre do sofrimento que nascemos
Pra criar
E enquanto isso eu vou estar aqui
sábado, 29 de outubro de 2011
A gente toma iniciativa...
http://www.youtube.com/watch?v=ue2IxSEvu-M
sábado, 22 de outubro de 2011
Atravessando
Hoje eu quis tanto te encontrar, lembrei dos outros dias – outrora irrelevantes, e agora tão distantes – só posso sentir saudades.
Amanheci tão cinza, o céu estava tão nublado e o sol tão tímido e tão distante
Como você, como você está tão longe. Não está perdida, está?
Hoje os ponteiros do relógio quiseram me ajudar, como sinais vermelhos fora do ar.
Ontem à noite eu dormi com você no olhar, no olhar.
